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A Ergonomia

Conceitos Chave

Existem alguns conceitos chave subjacentes à Ergonomia que devem ser realçados. São eles:


Tarefa

Numa perspectiva francófona, citando autores clássicos em Ergonomia, como Leplat ou Laville, o conceito de tarefa corresponde a um trabalho prescrito. Deste modo, pode ser definido, de forma simples, como um objectivo a atingir em determinadas condições de execução, ou seja, o que o operador tem que fazer.

Para realizar as suas tarefas, o operador utiliza meios, materiais, instrumentos, ferramentas, etc., que lhe são facultados para o efeito. São igualmente definidas as condições em que a tarefa deve ser realizada: um tempo, um espaço, uma ordem de operações, um envolvimento físico, normas a respeitar.

Deste modo, a análise da tarefa centra-se no conjunto das condições de trabalho, pondo em evidência os factores que influenciam a actividade dos trabalhadores. Assim, os elementos constituintes da tarefa são os objectivos (de produção, de qualidade, fiabilidade, …), os procedimentos (métodos de trabalho, ordens ou instruções, normas, constrangimentos temporais, …), os meios disponíveis (matérias, máquinas, ferramentas, documentação, …), o envolvimento físico (espacial, ruído, trabalho nocturno, …) e as condições sociais do trabalho (qualificação, modalidades de remuneração, tipos de controlos e sanções, …).

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Actividade

Se a tarefa indica o que deve ser feito pelo operador, a actividade indica a forma como se faz. A noção de actividade refere-se ao que o indivíduo põe em jogo para executar a tarefa, constituindo um processo complexo que vai da percepção à acção. Este processo é desencadeado por um estímulo que é percebido, determinando o tratamento correspondente ao nível do sistema nervoso central, seguido da correspondente tomada de decisão, que se manifesta por meio de uma acção que deverá ter um resultado esperado num tempo útil.

O objecto da Ergonomia é a actividade dos trabalhadores, a fim de se conhecer as funções humanas solicitadas e compreender as modalidades da sua entrada em jogo. A partir deste conhecimento, podem ser estudados e previstos os riscos para a saúde quando há uma solicitação extrema das funções implicadas; podem ser determinadas as causas objectivas e não intencionais destas modalidades de funcionamento, assim como os riscos sobre a saúde e a produção. Identificadas as causas, é possível transformar a situação de trabalho.

É tradicional distinguir a existência de duas componentes da actividade humana: uma componente não visível, correspondendo à actividade do conjunto de processos internos, que vai determinar a outra componente, externa ou manifesta, que corresponde ao comportamento observável.

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Comportamento

O comportamento pode ser considerado como a parte observável da actividade global do indivíduo na sua interacção com o envolvimento. Apesar das visões mais cognitivistas ou behaviouristas, esta definição, é aceitável em Ergonomia, pois trata-se de insistir sobre a dimensão relacional entre o homem e a situação de trabalho.

Isto significa que a origem do comportamento não está, nem no indivíduo, nem no meio, mas sim na relação entre os dois. Esta posição implica que o comportamento não pode ser reduzido aos seus traços sem correr o risco duma redução abusiva, ou seja, o desempenho não prediz necessariamente o comportamento e muito menos os processos não observáveis que lhe são subjacentes ou o custo dessa actividade.

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Performance ou Desempenho

Em sentido estrito, a Performance pode ser entendida como o resultado obtido na sequência da actividade. Este resultado é comparado com o objectivo da tarefa, ou seja, com o resultado desejado, podendo ser expresso em termos de êxito, falha ou nível alcançado.

O conceito de Desempenho, em Francês e Inglês, Performance, representa a capacidade do homem para compreender, agir ou identificar, que é explicada pela interacção de três factores: as competências, as motivações e o envolvimento de trabalho (Keravel, 1997). Assim, mesmo que se assegure um óptimo envolvimento de trabalho e as competências adequadas às situações a gerir, haverá certamente um mau desempenho por falta de motivação para utilizar os saberes pertinentes. Do mesmo modo, por muito que a motivação anime os operadores e o envolvimento de trabalho seja adequado, se existe falta de competências específicas, o desempenho será também deficiente.

O envolvimento de trabalho, com as suas componentes físicas, organizacionais e psicológicas deve permitir a expressão das competências e motivações dos operadores. A compreensão dos fundamentos da motivação, assim como dos seus factores de influência e desenvolvimento, favorece a sua manifestação. O sucesso de toda a actividade depende, pois, da vontade partilhada pelo conjunto dos operadores para realizar uma missão, uma produção ou uma melhoria.

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Competência

A noção de competência, também não deve limitar-se a um saber fazer específico inerente a uma dada tarefa, mas deverá passar pela mobilização de conhecimentos e referências teóricas, assim como saberes práticos e pelo tratamento apropriado da especificidade em jogo. Se o desenvolvimento de competências se centrar na aprendizagem e treino da execução das tarefas inerentes a um dado posto de trabalho, então o operador está limitado na mobilização de competências, o que tem geralmente efeitos negativos a diferentes níveis: ao nível da saúde, porque vai seguramente estar confinado a uma elevada repetitividade; a nível da segurança, porque terá pouca margem de manobra para antecipar ou adaptar os seus comportamentos às variações do sistema; ao nível da produtividade qualitativa, porque não está preparado para identificar, corrigir ou prevenir erros. Assim, compreender os mecanismos e as circunstâncias das dificuldades do operador constitui uma prioridade do sistema de produção, no sentido de melhor orientar as escolhas de investimentos em matéria de ajudas técnicas ou organizacionais e da formação.

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Carga de Trabalho

O termo carga sugere a ideia de um fardo imposto a alguém. Tratando-se da carga de trabalho, o conceito envolve a carga imposta (solicitações, exigências, constrangimentos), assim como as suas repercussões sobre o comportamento e as funções do operador em actividade. O conceito de carga de trabalho pode ser utilizado referindo-se exclusivamente à tarefa ou simultaneamente à tarefa e ao envolvimento físico e social, constituindo, assim, a carga global de trabalho (Sanders, 1989).

Chiles e Alluisi (1979), encarando a carga de trabalho como solicitação, consideram que “o nível de carga é determinado pelo conjunto de exigências profissionais impostas ao operador, implicando necessariamente acções apropriadas por parte do operador”. Manifestas ou não, físicas, sensoriais, perceptivo-motoras, cognitivas, verbais ou combinadas, estas acções são indispensáveis ao cumprimento das suas tarefas. Sublinhando que, neste contexto, o termo exigência significa obrigação de agir, estes autores limitam a avaliação da carga de trabalho à das exigências profissionais e da performance. Na mesma perspectiva, Laville (1976) considera que a carga de trabalho depende do conteúdo da tarefa e das imposições temporais em que é executada. Numa perspectiva diferente, para Leplat (1977), o termo carga designa as consequências da execução da tarefa sobre o trabalhador; a tarefa propriamente dita e os constrangimentos que impõe são agrupados sob a designação de exigências do trabalho. Esta perspectiva enquadra-se na problemática da carga de trabalho, na medida em que coloca o homem no centro das preocupações. Além disso, o termo exigências caracteriza melhor as solicitações intrínsecas da tarefa. Convém, no entanto, distinguir as exigências, dos factores físicos e psicossociais, que não podem ser considerados como exigências no verdadeiro sentido do termo.

De um ponto de vista fisiológico, a carga de trabalho é o custo do trabalho para o organismo humano (Brouha, 1957). Na mesma perspectiva, Strasser (1979) diz que a carga de trabalho é determinada pelo custo fisiológico e psicológico do trabalho. Segundo Monod e Lille (1976), o conceito de carga de trabalho integra, numa relação causal, o conjunto das reacções do homem no posto de trabalho (astreintes) resultantes dos constrangimentos (contraintes) que se exercem sobre o trabalhador no seu posto. A carga de trabalho designa as variáveis independentes (contraintes) e as variáveis dependentes (astreintes) que se manifestam por sinais objectivos e subjectivos, fisiológicos e psicológicos. Esta definição oferece a vantagem de estabelecer um vasto quadro conceptual que permite analisar os factores de carga e os seus efeitos sobre o homem no trabalho.

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